quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SOMOS TODOS PIORES DE BELÔ

Enquadrados como...?

No último dia 24 de Agosto, numa terça-feira, seis homens foram presos em Belo Horizonte acusados pelo crime de formação de quadrilha. Os seis são mais conhecidos por seus nomes de guerra: Lic, Lisk, Fama, Goma, Sadok e Ranex, e a “quadrilha” em questão ganhou popularidade na cidade como Os Piores de Belô. O crime praticado por eles, enquanto “quadrilha“, não é dos mais comuns nessa classificação: pixação.

A prisão extraordinária de pixadores pelo crime de formação de quadrilha faz parte de uma história um pouco mais complexa, que começa pelo anúncio de uma Copa do Mundo no Brasil, passa por políticas públicas imediatistas e autoritárias, e não temos idéia de onde vai parar. Nesse caso específico, o episódio é protagonizado pelo “Movimento” Respeito por BH, que de movimento não tem nada, consiste em mais um programa do governo de Márcio Lacerda. Por iniciativa do pseudo-movimento, o Ministério Público e a Polícia Civil passaram a investigar os pixadores de Belo Horizonte através da internet e de buscas em suas residências (com a conhecida “gentileza” das forças policiais), onde apreenderam desnecessariamente computadores e outros itens dos acusados.

Por fim, como um ápice cinematográfico das chamadas operações BH Mais Limpa, buscaram mais uma vez os Piores de Belô em casa, de viatura, e os encaminharam para uma penitenciária onde aguardam julgamento por um crime que não lhes diz respeito. Aguardamos, juntos, a mais uma condenação pública da liberdade de expressão mineira.


A invenção do criminoso e histórias similares
São velhas conhecidas as figuras dos bodes expiatórios. Animais solitários, distinguidos e separados... crias do abandono. Outras vezes bruxos, feiticeiras, conspiradores, loucos – tipos estranhos premiados com o isolamento.

Não há exagero. O fato de termos seis homens numa penitenciária acusados do crime de formação de quadrilha por terem pintado com tinta as paredes da cidade evidencia isto. Para os desinformados, vale lembrar: cotidianamente a pixação é tratada como contravenção, normalmente substituída, mediante transação penal, por penas alternativas. O tratamento jurídico normalmente dispensado a ela não chega nem perto daquele dado ao crime de formação de quadrilha. A conveniência de se tomar gato por lebre, neste caso, confirma ainda mais o quanto a “movimentação” Respeito por BH quer fazer de bodes expiatórios os Piores de Belô, em meio a toda uma trama de limpeza da cidade. Os Piores estão deixados como exemplo, são os punidos que servem como mostra pública de até onde pode chegar a retaliação a qualquer ato que fira os princípios de regimento oficial da cidade.

Primeiro, deve-se alertar: essa operação contra os Piores (e contra a pixação em geral) é orientada por um conjunto de políticas e de modos de se relacionar com o espaço público que hoje já se revelam como tendência em BH e outras capitais mundiais. Especulação imobiliária, entrega do espaço público com benefícios ao capital privado, cerco fechado por parte da segurança pública, enrijecimento da repressão nas ruas, exclusão de informais e indigentes, monitoramento ultra-avançado de algumas regiões, tudo isso somado às contendas das famílias tradicionais e dos grandes investidores. Um pacote que pretende consolidar projetos de higienização da cidade - seguir na seleção dos úteis e dos inúteis nesse palco.

Ora, a pixação, insistentemente definida como vandalismo pela grande mídia e pelo senso comum, é o vandalismo que não inutiliza o objeto de sua ação, apenas interfere nele. É, além de tudo, cultura produzida e mantida em movimento pelos seus atores sem nenhum tipo de incentivo além da marginalidade. É manifestação própria da cidade, território de criatividade, geradora de questionamentos, formadora de tipos específicos de ator e de memória. Inevitável não fazer a menção histórica: a escrita na parede, de pedra ou de concreto, permeia nossa caminhada cultural do início mais remoto às manifestações artísticas contemporâneas - que o sistema de arte (e portanto o próprio sistema capitalista) celebra, abrindo champagnes em galerias – passando por toda uma tradição de resistência política e pela expressão espontânea de agentes de todos os tempos.

Importante lembrar o caso do grupo que invadiu e pixou a Bienal de São Paulo, em 2008. Pois se hoje os pixadores paulistas tem credenciais para entrar na mais importante exposição de arte da América Latina, na ocasião de sua ação direta eles foram tratados com jeito semelhante ao dos Piores de Belô. Devido a queixa prestada pela Fundação Bienal à polícia paulista, a pixadora Carolina Pivetta, então com 22 anos, foi encarcerada, acusada de se associar a “milicianos” com fins de “destruir as dependências do prédio” da Bienal, segundo a denúncia do Ministério Público.

Peraí. “Milicianos”? “Destruir as dependências do prédio”? Vê-se como os termos são, no mínimo, rasos. Tanto no caso dos pixadores paulistas quanto no dos belorizontinos não estamos lidando com criminosos deste calibre, e a interpretação dada aos fatos deturpa a dimensão da pixação. Milicianos, assim como formadores de quadrilha, não se unem para pintar paredes. Pintar paredes, por sua vez, não destrói coisa alguma, antes constrói significados, redes e subjetivações do espaço através da produção de imagens. Importante reforçar: é, antes de tudo, mais um modo de incidir politicamente na cidade.


A crosta da cidade, território do pixo


Fascismo velado à la mineira. A resposta do público diante das notícias da prisão dos Piores de Belô traz à tona a violência recalcada da tradicional família mineira. Pelas páginas de comentários nas redes da internet, por trás de um anonimato covarde, proliferam desejos de execução sumária, exclusão e tortura. “O pixador, esse grande filho da puta, tem que morrer!”, grita afoito o pai de família. A demonização deste ator/ativista controverso das metrópoles deveria nos fazer pensar. Na cidade, onde proliferam mazelas de todos os tipos, onde os desequilíbrios e carências se dão em instâncias essenciais da vida de milhões de seres humanos, é de se questionar a atenção dispensada a uma mazela visual. A pixação é simplesmente a letra escrita, exposta como ferida, mas contra ela se legitimam facilmente o ódio, a tortura e a manobra política.

O território de atuação da pixação – a superfície da cidade – é uma superfície política. Quando o pixo age sobre esse espaço político se choca com o uso mercantil que é feito da cidade, expõe uma expressão do marginalizado onde normalmente só se faz esconder, maquiar e especular. A prisão dos Piores de Belô é igualmente superficial. Não se trata de uma solução no sentido forte, mas um remendo, uma tentativa controversa de estancamento da ferida social por onde jorra tinta. Sem nos esquecermos de contextualizar este fato dentro de uma onda de intolerâncias que vem se mostrando nas ações da administração pública de BH. Nem segurança pública, nem poluição visual e nem mesmo a própria pixação (ou os problemas sociais que a estimulam) encontram na manobra do Ministério Público uma resposta adequada. O tratamento dado aos personagens da suposta “quadrilha” fede a artimanha de ditadura.


SOLIDARIEDADE

Por tudo isso, se faz necessário gritar LIBERDADE AOS PIORES DE BELÔ! Este grito deve ser levado a cabo por cada um que seja minimamente solidário com a liberdade de expressão e com a manutenção da vida na cidade. Da mesma forma devem ser lembrados os desalojados das Torres Gêmeas e os ameaçados das ocupações urbanas de BH, os impedidos de entrar nas praças públicas e todo aquele que morre de alguma maneira na mentira de um “centro vivo”. Somente por meio da solidariedade que se identifica com o seu igual e tece, a partir daí, uma rede horizontal de resistência podemos fazer a oposição necessária ao disparate que é a prisão dos Piores de Belô, bem como os processos de mercantilização e cercamento das cidades.

LIBERDADE AOS PIORES!
SOMOS TOD@S PIORES DE BELÔ!

(*) Este texto vem na esteira de outros textos e discussões puxados sobre o assunto recentemente através da internet. Trata-se de um texto sem autoria, criado a muitas mãos durante as últimas semanas. Sua reprodução é permitida e desejada.

Fonte: http://canhotagem.blogspot.com/2010/09/somos-todos-piores-de-belo-enquadrados.html

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

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Graffiti sobre tela. Telas sobre juventude.

A oficina buscou promover um diálogo entre jovens dos núcleos do Plug Minas através da pintura coletiva de telas. Serão produzidas 4 telas, de aproximadamente 1,5m x 1,5m cada, com técnicas de Graffiti que resultará em um painel temático, apontando questões, pontos de vista e práticas dos jovens do programa. O Conteúdo será exposto no final do Festival Plug Minas 2010.

Envolvendo 12 jovens dos diversos núcleos e foi ministrada por Warley Bombi e Fred Negro F.


O Plug Minas é um centro de formação e experimentação digital, onde jovens de 15 a 24 anos, estudantes das diversas escolas da rede pública do estado, vão desenvolver competências para lidar com os mais variados aspectos da tecnologia e da cultura digital - por meio do acesso irrestrito às redes e da autonomia para produzir informação, arte e cultura.

Veja outras fotos: www.flickr.com/ngfgraffiti

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Exposição 7 LINHAS


Exposição 7 LINHAS
Upload feito originalmente por Denis Leroy
Todo mundo convidado!
Abertura dia 02 de outubro as 20:00hs
no Uzina Lounge. Dj Fausto Dj Deivid e o Matéria Prima.


SETE LINHAS é o resultado da pesquisa visual desenvolvida pelo artista Denis Leroy, em que ele mistura elementos do design, grafite (atividades que desenvolve desde a década de 90) e personagens presentes no panteão espiritual brasileiro, fazendo uma busca obsessiva pela investigação de mistérios do oculto. O trabalho carrega signos fortes, vindos de sua influência afro brasileira e de suas vivências de trabalho em terreiros de umbanda. São composições vivas e perturbadas, que retratam não apenas os sujeitos comuns, mas também suas almas. As obras tem uma variedade grande de traços, o que é característico do trabalho do artista, assim com a linha expressiva, ora firme, ora suave. Seus personagens são tipos populares brasileiros, às vezes inspirados em indivíduos reais, às vezes imaginários, tais como entidades e seres disformes. Há, ainda, figuras que se confundem com sujeitos comuns do nosso dia a dia, mas que também estão presentes nesse panteão, como caboclos, pretos velhos e crianças, estabelecendo como que uma relação de simbiose com nós mesmos.

A partir de uma diversidade muito forte de imagens, Denis elabora uma intensa leitura do lado espiritual, pautada pelos sentimentos. Isso é feito, no entanto, sem que verdades absolutas sejam construídas, propondo-se, ao contrário, questionamentos sobre formas de existências e de vivências. Em sua obra, são descritos e problematizados os seres presentes no imaginário popular brasileiro, que exercem influência significativa sobre crenças e esperanças em momentos de aflição. Embora seu trabalho tenha esta pesquisa obstinada, o artista aborda também situações do seu cotidiano, tais como influências urbanas, o universo do skate, a vida de comunidades, o hip hop e a cultura de rua em geral.

Ao apresentar essa gama de reflexões, a obra levanta questões sobre a aceitação e a apropriação da cultura brasileira, em toda a sua plenitude e sincretismo. Alguns elementos dessa cultura às vezes discriminados, como exus, pomba giras e outros personagens, aparecem no trabalho do artista livres de preconceitos e de tabus que são, comumente, associados a eles por falta de informação.

SETE LINHAS é um convite ao questionamento e à descoberta de novas percepções, por meio de um olhar instigante voltado para o que nos aparece como oculto e que, paradoxalmente, parece reger nossa racionalidade.

Denis Leroy vive e trabalha em Belo Horizonte. Formado em Cinema de Animação pela Escola de Belas Artes da UFMG, realiza trabalhos autorais em mídias como desenho, animação, grafite e pintura. Participou de diversas exposições coletivas no eixo São Paulo - Belo Horizonte - Rio de Janeiro como Ilustrator 1.0 , American Grafitti, Bienal Internacional de grafite, Daqui um século, 5vs1 Sesiminas, CowParade Brasil, Sala Web - Palácio das Artes. Suas animações já foram exibidas e premiadas em mostras nacionais e internacionais como Resfest, Mostra Mumia, Itaú Cultural, Brasil Digital, Conexão Vivo, Clerrmont-Ferrand Film Festival, Festival de Curitiba, Granimado Festival Brasileiro de Animação, Festival Internacional do Rio de Janeiro, Vitória Cine Video, Mix Brasil e Micro Wave em Hong Kong.


Apoio: Quina + Detono + Arcangelo + Mini

Fred Negro F. - 31 anos - vamos bebemorar?

Bebermorar e relembrar.
#31 anos

Na última segunda dia 20 de Setembro foi uma data, super importante para mim, eu não poderia deixar passar assim, eu fiz 31 anos de vida. O que de fato significa isso? Segundo meus cálculos são em média 11.315 dias vividos, nuuuuuuu, coisa pra caramba e várias semanas, meses... e ai vai... Passados tudo isso, algumas transformações, confusões, revoluções e correrias que fazem parte, sigo. Além disso é importando enfatizar que, quantos jovens que nasceram nas mesmas conjunturas sociais e econômicas estão ainda “vivão e vivendo” como eu?
é... eu sigo firme, graças a Deus, nunca estou só nisso, sempre contei com pessoas, amigos, família e minha filha que sempre estiveram ao meu lado, que me deram força, esperança e luz.

Mais do que nunca, gostaria de aqui registrar o meu singelo MUITO OBRIGADO à tod@s, que fazem ou fizeram parte deste minha trajetória de alguma forma. Vocês são parte disso, dos meus traços tortos, de minha palavras loucas, de minha obras de arte e de meus avanços. Em lágrimas neste momento digo, sem palavras, tenham Fé em Deus, Vivão, Amor e Gozem a Vida!

Fica aqui o meu convite para bebermoramos juntos no: Sábado dia 25 de setembro às 19horas no Bar Balaio de Gato - Av. Olegário Maciel, 1370 (esq. Aimores), demorô? Espero tod@s lá!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

GaloKombi: FORA LUXEMBURGO

GaloKombi: FORA LUXEMBURGO: "Demorei e custei a ter condições de escrever esse post. Mas agora não dá mais: FORA LUXEMBURGO! As seguidas péssimas partidas, cada uma com ..."

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Vendendo Peixe


Vendendo Peixe
Upload feito originalmente por culundria armada
Vendendo Peixe é uma oportunidade de reunir pessoas por um dia (sábado, 18 de setembro de 2010) pra criar junto, compartilhando ideias e trabalhos com total liberdade. Arte, música, cinema, posters, grafite, instalações e arte digital são apenas algumas das ações já marcadas para acontecer - além do lançamento do zine A Zica. E com certeza vai acontecer bem mais, apareça.

Vai rolar:

- Lançamento do zine A Zica

- Cine La Boquinha

- Graffiti Research Lab

- Trocaria & Permutaria

- Música: Sala de Viola Vicente Machado, Água de Cachorro, Ram, Vostok Deluxe, Grupo Porco de Grindcore Interpretativo, Somando Som, Sara Não Tem Nome, Samba de Terreiro, Casper Roots.

- E muito mais.

Acesse: http://urubois.org/vendendopeixe/

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Circuito de Exibição de Vídeos, segue à todo vapor!

Foto da exibição do Granja de Freitas/ autoria: FredNegro F.

Durante os meses de agosto e setembro o Grupo Cultural NUC esta promovendo uma série de mostras audiovisuais receado de apresentações de atrações locais no bairro Alto Vera Cruz, região e Vila Marçola (Serra). As mostras são compostas por vídeos produzidos por diversos grupos e instituições culturais de Belo Horizonte. Cada sessão tem duração de uma hora e os vídeos possuem temáticas ligadas às questões de gênero, política, ficção, africanidades, direitos humanos e cultura.

As atividades são gratuitas e promovidas através do Conexão Vivo, que além do desenvolvimento do setor musical brasileiro, busca também a capacitação e a formação de gestores culturais através de ações culturais formativas.

partidindo para as ultimas exibições desta I circuito o GCNUC realizará dia 18 e 19 de setembro às 19 horas Local: Rua d’Água, Vila Marçola (Serra) e na Praça do Cardoso, Vila Marçola (Serra), mais uma sessão pipoca com vídeos locais e com as atrações artísticas da Serra que a partir das 16h farão uma pockteshow super animado com os grupos: Aice band, Vozes do Rap, Cia. dos Anjos (dança de rua), Swing tá de boa (Axé).


Participe!


Informações: http://www.conexaovivo.com.br/noticias/circuito-de-exibicao-de-videos